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terça-feira, 4 de abril de 2017

Adeus, Tailândia

Tailândia, está na hora de partir. Vou sentir, de verdade, muita saudade. Eu até ficaria aqui por um ano ou mais tempo, sem problemas, mas o fato de me imaginar em uma fila da polícia, preenchendo documentos, gastando dinheiro com tradução (buscar por um tradutor) me faz ter vontade de partir juntamente ao fato de pensar que eu sinto que, ainda, tenho muito o que explorar e conhecer (e aprender). Talvez eu procure ficar um tempo maior em algum outro país (a Croácia, com certeza, seria um desses países e, futuramente, a Tailândia (mas eu faria, nesse caso, um curso de tailandês).
[E então: para onde eu vou, agora? ("Volta para o Brasil, Anderson!"). As pessoas têm me importunado (pessoas próximas a mim e outras distantes) com esse tipo de frase, porque elas, simplesmente, não entendem o que EU estou vivendo, porque estão limitadas à realidade delas e, como brasileiros, querem encontrar um ponto de convergência, mas eu não tenho o menor problema em dizer, abertamente (e divergir, mesmo que soe arrogante), aliás, sempre disse isso, quem me conhece sempre ouviu esse meu reclame a vida inteira sobre o Brasil: EU NÃO QUERO VIVER AÍ (PONTO!). As pessoas têm motivações diferentes das outras. Esse tipo de papo me irrita, profundamente. Se você acha que viver no Brasil é bom, fique aí! Eu não acho.
E não deixo de gostar da minha família (e de algumas pessoas ou de ter amigos aí) por isso, tampouco de saber que sou brasileiro (e gostar da comida, por exemplo) ou de sentir a dita cuja saudade, especialmente, por meio do contato com a Língua. Quando há uma razão para voltar, quando há uma identidade consolidada para voltar, as pessoas voltam, mas, quando isso não existe e quando a felicidade reina no coração como nunca reinou antes (quem me conhece deve saber que passei anos trabalhando, sempre, para investir o meu dinheiro em intercâmbios e em viagens), a gente faz morada de lugares que nos fazem bem, com pessoas que nos fazem felizes, onde haja identidade, mesmo que haja, também, problemas (como em todo lugar, mas, no Brasil, somam-se problemas a mais problemas e uma falta de identidade que me faz sentir como se eu não existisse, não vou enumerar os problemas sociais brasileiros e cheguei a tentar (sobre)viver em outras cidades, mas não dá, acho que nem os tailandeses, com toda a calma do mundo, aguentariam. Nesse ponto, concordo com Antônio Jobim: "o Brasil não é para principiantes"*). Lamento! Mas vou aí fazer uma visita, no próximo ano, para os que sentem saudade (e matar a saudade também). Ainda não vou revelar para onde vou, quando chegar ao local, começarei a divulgar as minhas experiências, especialmente pelos meus sites.]
* Esse vídeo sou muito eu, nesse aspecto: "www.youtube.com/watch?v=DAuOuED0Y2Y&t=639s"
A barreira linguística por aqui me afetou muito, pois não é fácil a comunicação com os tailandeses caso você não fale a Língua deles, nós até tentamos fazer mímica, eles são carismáticos, sorriem bastante, mas uma hora cansa (algumas pessoas falam inglês, mas a comunicação fica muito superficial, eles não falam inglês tão bem como os europeus e o sotaque, para mim, é de difícil compreensão). Não tive problemas ao me comunicar em países como Croácia, Hungria (as minhas piores experiências linguísticas foram na Bulgária e um pouco na Tailândia. Na Bulgária, acredito, as pessoas são um pouco mais brutas e não têm muito paciência para quem não fala o idioma deles (lembro-me de que um taxista me "jogou" na rua, às 23h, depois de rodar, rodar pela cidade e não encontrar o local onde eu estava hospedado (muita confusão nesse dia, daria assunto para um outro texto. Eles têm outro alfabeto lá)). Na Tailândia, eles são muito calmos (é um marasmo que, juntamente ao calor (apelidei Banguecoque Sauna), faz qualquer um "desacelerar", é uma terapia para quem é ansioso). Eu me lembro de que alguns taxistas até ligaram para seus filhos(as) para que eles falassem inglês comigo quando não me entendiam direito S2. Muito amor, né?).
Fui MUITO bem tratado na Tailândia, recebi muito carinho do povo local (e até de visitantes que conheci pelo caminho, recebi visita de brasileiros, conheci vários estrangeiros...). Lembro-me de que um dia, andando pela rua em Bangkok/Banguecoque, notei um fato muito interessante. Umas alunas de escola ficaram me olhando, muito empolgadas e sorridentes (até me abraçaram rsrs) e vieram pedir para tirar foto comigo (eu, inicialmente, me senti uma celebridade). Depois, fiquei pensando: "cara, elas pediram para tirar foto comigo porque me admiraram" (observei a mesma reação dos tailandeses quando aparecem pessoas, Inclusive, tailandeses "bem produzidos" e, principalmente, ocidentalizados pelas ruas/shoppings). Pessoas bem-vestidas, bem cuidadas, eram paradas por outras que pediam para tirar foto (perguntei para o pessoal, no shopping, ao meu redor, se essas pessoas eram celebridades tailandesas e me disseram que não, então, perguntei por que os adolescentes, especialmente, estavam tirando foto com eles... não souberam me responder. Mas eu, também, vi o mesmo tipo de reação com outros ocidentais, bem-vestidos e com boa aparência. A regra não valia para mochileiros rsrs). Claro que essa atitude está mascarada de estereótipos da indústria da beleza, que aqui se consolidam pelos traços ocidentalizados, pele MUITO branca ((tanto para homem quanto para mulher) e traços mais delicados/finos (tanto para homem quanto para mulher) e poucos pelos (NUNCA VI TANTO PRODUTO PARA CLAREAR A PELA, INCLUSIVE, PARA HOMEM. A seção da Nívea para homem inteira, sem brincadeira, em relação a todos os produtos para pele, tem a palavra WHITENING, até gel de barbear). Essa onda ocidental, principalmente brasileira, do homem da caverna, predador e cheio de pelos ainda não chegou aqui como padrão de beleza). Aqui vigora a carinha de baby (traços boyband. Saudade da década de 90 S2. E em todos os cafés tocam TODAS as músicas do Westlife (Aunnn S2)), passei horas trabalhando e cantando todas as músicas do Westlife em vários cafés rsrs.
As práticas alimentares dos tailandeses foram o maior choque cultural para mim. Tudo é vendido em unidades ou em pequeninas quantidades (por isso, eles são MAGROS. Banana em unidade, maçã em unidade. Não há mercados, facilmente, pelas ruas e é comum não haver fogão para cozinhar na cozinha de muitos apartamentos (com forno etc.), porque eles têm a cultura de comer na RUA). Mas eu me frustrei a cada refeição que fiz porque acabava tendo de gastar mais para comer como estou acostumado (a parte boa é que, em cada esquina, de todos os três bairros que morei e por toda a Tailândia, há uma loja chamada Seven Eleven que vende comida 24h (em porções bem pequenas e tudo agridoce :S). Eu me lembro do dia em que fui cozinhar macarrão com azeitona e a azeitona estava com açúcar e a minha comida foi para o lixo.
Lembro-me de ALGUNS evangélicos alienados me perguntando no Brasil, quando disse que iria à Tailândia, em relação à primeira vez que comprei a minha primeira passagem para a Ásia e acabei trocando para a Alemanha, o que eu iria fazer "naqueles país"! Conspirações do demo à parte, na Tailândia, as pessoas que são adeptas ao budismo são muito, mas MUITO mais civilizadas, amorosas e respeitosas do que uma grande parte desses fanáticos religiosos brasileiros. Além disso, há um sentimento de paz social tão MARAVILHOSO AQUI, oriundo, acredito, da religião desse povo, que traz ensinamentos que se alinham à paz social e não à segregação entre céu e inferno ou à "deusificação" do homem na terra por meio de achismos e de delírios.
A Tailândia foi um dos lugares que mais me trouxe aprendizado e me acrescentou. Conviver ao lado dos tailandeses e vivenciar a cultura deles foi um presente maravilhoso, pois essas pessoas sabem, de fato, respeitar as outras. Além disso, devo mencionar que a Tailândia é um lugar seguro (essa é a melhor parte de todas S2). O custo de vida na Tailândia não é tão barato quanto eu pensava (pelo menos não em Bangkok/Banguecoque). Aluguel de apartamento é, de fato, barato, mas o preço de alimentação é caro (se você vier à Tailândia para comer como um mochileiro, o custo será, de fato, baixo, mas, se manter os seus hábitos alimentares, gastará mais com alimentação do que no Brasil e em alguns países europeus). Eu posso dizer que, para ingleses, norte-americanos e australianos, que recebem em moedas fortes, a Tailândia é um país barato, mas não para brasileiros (não tão barato quanto as pessoas dizem por aí, não mesmo, a não ser que você viva (se receber em real)/viaje como um mochileiro. O custo de vida em Zagreb é 40% menor do que em Bangkok/Banguecoque. Não cheguei a viver em outras cidades tailandesas, mas sei que Bangkok/Banguecoque é um centro urbano muito grande e valorizado na Tailândia, com mais de 11 milhões de habitantes, por isso, talvez, o custo de vida aqui seja tão elevado).
Fico por aqui, já com saudade. Eu poderia escrever um livro inteiro sobre os três meses em que passei aqui (na verdade, eu estou preparando vários vídeos sobre os meus lugares favoritos e compartilhando o que aprendi, publicarei em breve em um dos meus canais).

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Outsider na Tailândia

Primeiras impressões sobre a Tailândia


Eu confesso que nunca experienciei nada como a Tailândia. E Banguecoque, acredito, é um mundo à parte. Banguecoque é uma cidade gigante. Outro dia, fui ao dentista, de táxi, demorei quase uma hora e meia para chegar (e o taxista, para variar, não conseguiu encontrar o endereço rsrs). No final das contas, eu tive que aprender a andar de metrô (fiquei perdido por quase umas 3 horas, tentando encontrar a clínica e depois o lugar onde eu morava. Decidi morar um pouco afastado do centro, que é bem caótico e barulhento como São Paulo).
Muitas pessoas, como eu, decidem ir à Tailândia para fazer tratamento de dente (não somos loucos! Só não somos obrigados a pagar o valor abusivo da maioria dos dentistas). O meu dentista, por exemplo, é formado nos EUA, tem mestrado, doutorado lá também, a clínica tem boa infraestrutura e todos aqueles certificados internacionais; mas o preço é bastante em conta). Há vários fóruns, na internet, de estrangeiros indicando clínicas e relatando as experiências deles (muita gente vem colocar facetas de porcelana, que, no Brasil, chega a custar entre 1000 a 2000 reais por dente e aqui o custo pode variar entre 700 a 300 reais. NÃO, não é de qualidade inferior ao material produzido no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo. O meu dentista (pesquisei muito até decidir fazer o tratamento com ele), por exemplo, na fabricação de coroas etc. importa, praticamente, a maioria dos materiais da Alemanha). Obviamente, deve haver profissionais ruins como em todos os lugares (tive uma experiência ruim com dentista na Europa, por exemplo). A Tailândia é muito conhecida, também, por ser um lugar que faz cirurgia de mudança de sexo, legalizada e permitida pelo governo. Na verdade, parece haver uma "falsa" aceitação sobre questões LGBT aqui. Outro dia, conheci uma modelo transgênero, ela me contou essas coisas que compartilho neste texto com vocês. A Tailândia é considerada a capital da beleza da Ásia, cirurgia de nariz, para aumentar os olhos são comuns. Na verdade, eles estão bastante ocidentalizados para o meu gosto.
A história do garoto espanhol que tatuou no braço a imagem de um Buda ainda é uma discussão recente. Quando saí do aeroporto, vi um anúncio gigante dizendo que os estrangeiros deveriam respeitar a tradição tailandesa;a tatuagem do "Buda" representa uma "afronta" à cultura tailandesa. Achei interessante: em cada esquina por onde ando, há uma espécie de "minitemplo", igual a um "presépio". Pensei, inicialmente, que tinha alguma coisa a ver com o Budismo, mas os tailandeses me disseram que é influência indiana. Nesse "minitemplo", há vários elefantes e um "deus" central, com vários braços... os meus amigos tailandeses me disseram que a função desses templos é de proteger e de trazer sorte para que uma determinada área seja "guardada" (também é comum encontrá-los em frente a grandes edifícios comerciais, para que os negócios sejam, sempre, "abençoados".

Nunca vi tanta comoção, há muitas homenagens ao rei morto pela cidade. Até na entrada do meu condomínio, há uma foto gigante do rei com flores brancas contrastando com as pedras pretas de mármore do edifício (ui rsrs). Um tailandês me disse que os locais "cresceram" com o rei, viram-no crescer e foram muitos anos de reinado, praticamente uma vida. No dia que me perdi pelo centro da cidade, rodei, rodei, saí perguntando em inglês, para as pessoas na rua, como chegar ao meu bairro (no caminho saía comprando tudo que via pela frente. Encontrei ovo rosa, fiquei empolgado, comprei, depois, quando abri, vi que era ovo choco, com o pintinho quase em formação (eca!). Acabei comprando um chip, fazendo mímica no mercado, e consegui me localizar melhor com o meu celular. Aprendi a agradecer, juntando as palmas das minhas mãos e abaixando o meu queixo até os dedos, fazendo carinha de pastelzinho ahauahauahau (achei tão bonitinho :)).
Cada compra saía por um valor mais barato do que outro. Apesar do medo (de pegar uma infecção alimentar, mas eu levei comprimido de carvão mineral comigo, baby 0/), parei em uns três restaurantes locais, aqueles com cadeiras de plástico e experimentei os apimentados (e muito doces) pratos tailandeses. MUITO BOM! Durante as várias vezes que fui ao mercado, percebi que eles vendem quase todos os itens em pequena quantidade. As porções de comida são muito pequenas, acredito que isso se articula ao estilo de vida deles, eles devem comer muitas vezes ao dia, em pouca quantidade, por isso são, geralmente, magros. Mas, para um atleta como eu rsrs, preciso, ao menos, de umas três refeições deles. Eles, também, consomem pouca proteína de carne, os pratos contêm mais carboidratos. Alguns Iogurtes têm gosto artificial. Alguns sucos têm gosto de remédio.
Poucas pessoas falam inglês, eu não entendo o sotaque. Mas todos são muito gentis e fazem mímica, sorriem bastante (ainda não identifiquei o sentido dos sorrisos, parecem todos iguais para mim). Um calor! O termômetro marca 30 graus, mas eu sinto que é 40 O.o. As calçadas não são lugares, somente, de pedestre, mas de motos também (isso mesmo), o trânsito até nas calçadas é muito louco por aqui rsrs.
Sinto um ar meio "OUTSIDER". Na verdade, sempre me senti assim, mas parece que este é o meu lugar rsrs, eu me sinto bem normal na Tailândia. E eu nunca vi tanto estrangeiro OUTSIDER como aqui (parece que estão todos vivendo as suas realidades paralelas e é isso aí, todo mundo na sua, tranquilo rsrs, os tailandeses, também, são muito tranquilos, as pessoas não ficam olhando para você na rua como no Brasil, encarando ou te avaliando).
A arquitetura da cidade é bem diferente, eu me sinto naqueles episódios de Jaspion, com os carros coloridos e aqueles prédios estilo asiático, Power Rangers, fica algo assim no ar. Quando vejo algum estudante vestido de uniforme no metrô, fico lembrando do uniforme da Saylor Moon. Fiz amizade com umas pessoas muito interessantes, gente de boa energia. Não é aconselhável beber água da torneira. Os condomínios tailandeses são muito bonitos e modernos. Ainda quero ir à capital dos Nômades Digitais, Chiang Mai, para conhecer mais pessoas como eu. Quero fazer massagem tailandesa, aulas de meditação.
É tudo tão diferente que até sacar dinheiro no ATM do mercado é novidade ^^. (Aparecem umas opções com brindes rsrs, depois que você saca o dinheiro, mas eu acho que é propaganda enganosa, não quis arriscar).
Estou curtindo demais!